Sou retardatário, eu sei. Mas também gosto de fugir dos hypes e esperar as poeiras baixarem para poder tirar minhas próprias conclusões.
Sendo assim, só hoje assisti o tão comentado e já antigo Marley e Eu, o famoso filme do cachorro em que todo mundo chorava horrores.
No começo, achei divertidinho, leve, além é claro de curtir pacas a Jennifer Aniston (como o Brad Pitt perdeu ela?!?) atuando. Mas… O Marley me fez lembrar de alguém que conviveu comigo na infância e só hoje eu consigo lembrar de como foi importante e o quanto me marcou: o Buiú.
Pois é, vou falar do Buiú. Ele não está no filme e eu não vou escrever sobre o filme. Todo mundo sabe que o cachorro morre no final do filme, né? Se não sabia, desculpa ae!
O Buiú apareceu em nossas vidas no momento mais estranho. Eu tinha acabado de mudar-me pra Caçapava e deixado a cidade de Lorena que eu amava tanto, com meus amigos e minha infância. Tivemos que deixar a primeira casa por problemas de orçamento e alugar uma mais simples, bem mais simples, sem forro, com muitas goteiras e onde não cabiam nossos móveis. Lá estávamos nós quando apareceu uma coisinha horrível, toda encharcada, miando feito louca no portão. Era horrível MESMO, parecia um gremlin muito mal feito, todo sujo e mirradinho. Só pelo miado é que percebemos que era um gato.
Demos banho, leite e ele ficou com uma aparência um pouco melhor. Pronto, não conseguíamos mais deixar aquela coisa ir embora e decidimos adotá-lo. O nome, segundo minha sugestão seria Ronrom, o mesmo nome do gato do Pato Donald, mas como na prática seria difícil chamá-lo o tempo todo assim, mudamos para Buiú, a sugestão do meu pai que achou que ele era um “neguinho” simpático. Ele adorou o nome e nunca mais mudou.

Buiú e sua única foto.

O que mudou, foi nossa vida com Buiú… Ele era um membro da família muito engraçado. Participava das minhas histórias bem antes de existir videolog, Livro da Amizade ou outro projeto. Eu me lembro de ter gravado cenas mentalmente com ele. Era um ótimo ator.
Era um excelente filho também. Fazia companhia à minha mãe enquanto ela cozinhava, era o primeiro a aparecer pela manhã e eu jurava que conversava com ela enquanto ela fazia o café.
Dizem que gato não é fiel ao dono, que é todo independente, mas o Buiú me esperava chegar da escola e fazia a maior festa. Também era muito fiel ao meu pai, que trabalhava e ainda trabalha em casa. Buiú acompanhava tudo com seu olhar atento e as vezes até metia a patinha no papel, na gráfica. Ele era um excelente peso de papel.
Buiú acompanhou o nascimento do meu blog antigo, o primeiro. E eu me lembro que postei sobre ele uma ou duas vezes. Ele também acompanhou nossa mudança para uma casa maior, onde ele, por direito, ganhou mais espaço e mais liberdade.
Ele agora dormia em um cantinho ao lado do meu quarto. Nas noites de frio e chuva ele miava na janela e só parava enquanto a gente pegava ele no colo. Um belo miado, por sinal.
Em uma noite, Buiú deitou e não mais levantou. Eu fui até a caixinha onde ele estava e ele me olhou com um carinho muito estranho. E eu então lembrei daquele dia em que ele apareceu, muito pequeno, sujinho. Agora ele estava ali, com 4 anos, todo limpo, bonito e com muita história pra contar. Inclusive com um filhotinho, o Bichinho (cada nome que meu pai arruma!!!). Buiú me olhou agradecendo por tudo, mas na verdade eu é que tinha que agradecer. Pela cumplicidade, por ter nos aguentado nos momentos de raiva e por ter nos dado sua amizade, que veio embrulhada pra presente e até hoje fica por aqui.
Valeu, amigão.

Ps.: Sim, eu também chorei assistindo Marley e eu, só pra constar.